Institucional
8 de julho de 2026

Carta Aberta: Dia Nacional da Ciência e do Pesquisador

4 min de leitura

“Celebrar o Dia Nacional da Ciência e do Pesquisador é celebrar muito mais do que descobertas científicas. É reconhecer as pessoas que dedicam suas vidas à produção de conhecimento e reafirmar que investir em ciência é investir no futuro do Brasil”

SO

Sociedade Brasileira de Psicologia

Redação

Compartilhar:
Carta Aberta: Dia Nacional da Ciência e do Pesquisador

8 de julho - Dia Nacional da Ciência e do Pesquisador 

Celebrar o Dia Nacional da Ciência e do Pesquisador é celebrar muito mais do que descobertas científicas. É reconhecer as pessoas que dedicam suas vidas à produção de conhecimento e reafirmar que investir em ciência é investir no futuro do Brasil.

A ciência brasileira nasce, sobretudo, nas universidades públicas, nos institutos federais, nos hospitais universitários e nos programas de pós-graduação espalhados pelo país. Mas ela também nasce nas escolas que despertam a curiosidade científica, nas feiras de ciências, nos laboratórios que seguem produzindo apesar da escassez de recursos e nos grupos de pesquisa que resistem com criatividade, compromisso e dedicação. A ciência no Brasil floresce, acima de tudo, pela persistência coletiva, pela curiosidade e pelo esforço de milhares de pesquisadores que transformam desafios em oportunidades de produzir conhecimento e promover desenvolvimento.

Mas a ciência não prospera apenas pela dedicação de quem a produz. Ela depende de continuidade, investimento e valorização. Floresce quando crianças têm acesso à educação científica desde cedo, sendo estimuladas a questionar, formular hipóteses, desenvolver pensamento crítico e investigar o mundo ao seu redor. Fortalece-se quando jovens conseguem permanecer na universidade, quando pesquisadores encontram perspectivas reais de carreira e quando existem financiamento estável, infraestrutura adequada, liberdade acadêmica e tempo para produzir conhecimento de qualidade.

Infelizmente, ainda perdemos talentos em diferentes momentos dessa trajetória. Perdemos jovens devido às desigualdades educacionais; estudantes que precisam abandonar seus estudos para garantir a própria sobrevivência; mestres e doutores diante da precarização das bolsas e da falta de oportunidades; e pesquisadores experientes que buscam, em outros países, melhores condições para desenvolver seu trabalho. A chamada fuga de cérebros não acontece apenas quando um cientista deixa o Brasil. Ela também ocorre quando permanece aqui, mas vê sua capacidade de produzir conhecimento limitada pela exaustão, pela sobrecarga de trabalho, pela desvalorização ou pela insuficiência de recursos.

O fortalecimento da ciência brasileira também passa pela construção de ambientes acadêmicos mais inclusivos, que promovam igualdade de oportunidades, enfrentem desigualdades de gênero e raça, respeitem a diversidade humana e assegurem condições para que talentos possam florescer independentemente de sua origem social, identidade, território ou condição. Uma ciência plural produz perguntas mais relevantes, perspectivas mais amplas e soluções mais inovadoras para a sociedade.

Reverter esse cenário exige políticas públicas contínuas e comprometidas com a ciência. É fundamental ampliar programas de iniciação científica desde a educação básica, aproximando escolas, universidades e institutos de pesquisa. Precisamos investir em laboratórios, infraestrutura, bolsas para estudantes, formação de professores e condições dignas para que docentes e pesquisadores possam conciliar ensino, pesquisa, extensão e inovação sem comprometer a qualidade de seu trabalho.

Da mesma forma, é estratégico consolidar uma política permanente de valorização da carreira científica, com bolsas compatíveis com a qualificação dos pesquisadores, previsibilidade orçamentária e mecanismos efetivos de inserção profissional para novos talentos. Garantir condições de permanência significa fortalecer a produção científica nacional e reconhecer que o conhecimento é um dos pilares do desenvolvimento econômico, social e humano de qualquer nação.

Neste 8 de julho, a Sociedade Brasileira de Psicologia presta sua homenagem a todos os pesquisadores e pesquisadoras que, diariamente, dedicam seu talento à construção do conhecimento científico. Em especial, reconhecemos a contribuição da Psicologia brasileira, cuja produção científica tem sido fundamental para compreender e enfrentar desafios relacionados à saúde mental, ao desenvolvimento humano, à educação, ao trabalho, às políticas públicas e à promoção da qualidade de vida.

Celebrar a ciência é defender um Brasil que acredita na educação, na pesquisa, na inovação e nas pessoas. É reconhecer que o conhecimento científico é um patrimônio coletivo, indispensável para enfrentar os desafios do presente e construir um futuro mais justo, sustentável, democrático e humano. Valorizar quem faz ciência hoje é garantir melhores oportunidades para as próximas gerações.


Assinam esta carta:

Katie Almondes, Presidente da Sociedade Brasileira de Psicologia (SBP)

Maycoln Teodoro, Vice-presidente da Sociedade Brasileira de Psicologia (SBP)


Documento em PDF: